Mar


Areia, o lugar que molha e seca
Sente o vento, une e dilata grãos
Matéria tátil para deitar e provar
O sol
Pode-se

Todos os passantes e os siris
Gritos de vendedores que convivem
Com a morte das algas
Água que faz beirada, a franja
Molhada, pés, ser pisado
Pode-se

O fresco da água banhando calcanhares
Uma água-viva, perigos pequenos
Um choro de queimadura cortando
A amizade alegre da espuma
É tudo passageiro
Pode-se

Joelhos, a água é macia
Já pede humildade o deslizamento de azuis
Enroscam galhos longínquos
Pernas que se incomodam, mas reconhecem
O que vem de outro
Um curioso avistaria navios
Pode-se

Cintura, pretensão de sereias
O desequilíbrio já lembra
Falta de caudas e guelras
Fuja dos corais se próximo de segredos
O direito de cada um ao que é dele
Funduras, essa parte dura, perfurada
Por água que tanto bateu
Não penetre mais, há moreias
O mar sou eu.


Adriane Garcia, em Só, com peixes, editora Confraria do Vento.

Comentários

Postagens mais visitadas